Desdobrando a estratégia para a operação com base em processos, pessoas e tecnologia

Como fazer o desdobramento da estratégia para a operação do dia a dia de forma estruturada e assertiva

A execução da estratégia é um dos maiores desafios enfrentados pelas organizações. Pesquisas apontam que a maioria das empresas falha não por falta de boas ideias estratégicas, mas pela dificuldade de traduzi-las em ações concretas e sustentáveis.

Em outro artigo do nosso blog (link), desdobramos a pesquisa da The Economist Intelligence Unit (EIU), que mostra que 90% das empresas falham na implementação da estratégia. Os motivos são diversos: falta de comunicação entre áreas, ausência de agilidade, pouca atenção ao cliente e à concorrência, e uma visão limitada de que execução é tarefa apenas operacional. Esses dados mostram que, para ser eficaz, o planejamento estratégico precisa “descer do papel” e ser incorporado no dia a dia da operação.

Para evitar esse cenário, é essencial adotar metodologias que conectem a alta gestão à operação. Neste artigo, apresentamos uma abordagem prática para desdobrar a estratégia até a base da organização.

Etapas para desdobrar a estratégia 🎯

Propomos quatro etapas principais para garantir um desdobramento estratégico eficaz e bem estruturado:

1. Parta do Mapa Estratégico e dos Direcionadores Estratégicos

O ponto de partida é extrair os direcionadores estratégicos da empresa. Eles representam os grandes temas ou frentes de atuação prioritárias, como reestruturação de políticas de RH, aumento de automações ou expansão de mercado. A partir do mapa estratégico, você poderá entender quais são as diretrizes que devem ser desdobradas.

2. Mapeei o estado atual da operação em nível macro (Cadeia de Valor)

Antes de propor qualquer mudança, é fundamental compreender como a organização opera hoje. O mapeamento da cadeia de valor ajuda a visualizar os grupos de processos e fluxos que sustentam a entrega de valor ao cliente. Essa visão integrada é essencial para evitar decisões baseadas em suposições ou vieses.

3. Aplique a análise de Suficiência e Correlação

A análise de Suficiência e Correlação busca responder: "A nossa operação, da forma como está hoje, é suficiente para entregar o que a estratégia exige?"

Para responder a pergunta acima, primeiramente, precisamos fazer um diagnóstico considerando três dimensões: Processos, Pessoas e Tecnologia.

Sabendo o que é necessário para executar a estratégia, utilizamos agora a análise de correlação, que é uma ferramenta visual e lógica que avalia o quanto cada grupo de processos se relaciona com os direcionadores estratégicos. Essa análise permite classificar os processos em três níveis:

✅ Suporte Forte: o processo está alinhado e suporta bem o direcionador.

⚠️ Suporte Parcial ou Fraco: há correlação, mas o processo ainda precisa de melhorias (estruturais ou pontuais).

⛔ Bloqueio ou Ausência de Correlação: há correlação, mas o processo não contribui ou atrapalha a execução da estratégia.

A combinação da análise de suficiência com a análise de correlação, fornece uma visão clara dos gaps entre estratégia e operação, permitindo decisões mais assertivas sobre quais processos precisam ser redesenhados, onde investir, e que iniciativas priorizar

4. Priorize as iniciativas

Nesse momento, o desdobramento estratégico já gerou insumos para identificar os GAPs que poderão ser priorizados nas iniciativas da empresa. No entanto, para uma priorização assertiva, é fundamental entendermos, o que parece, mas NÃO é um problema:

✔️O que já sabemos a resposta/solução;

✔️O que é trivial, ou seja, não está fortemente relacionado ao estado futuro desejado;

✔️Aquele em que a solução está fora do nosso alcance.

Segundo Peter Drucker, “não há nada tão inútil quanto fazer eficientemente o que não deveria ser feito”. Portanto, precisamos entender o que não é um problema:

Conclusão

O desdobramento da estratégia para a operação não é um simples checklist de iniciativas. É um processo estruturado, que requer método, visão sistêmica e inteligência analítica. Ao utilizar técnicas de análise para entender onde a operação está, como ela se conecta à estratégia e quais os recursos críticos que faltam, as empresas conseguem transformar objetivos em ações, e ações em resultados reais.

Se sua organização deseja evoluir sua capacidade de execução, o primeiro passo é conectar estratégia e operação de forma consciente, orientada por dados e focada em valor.

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